Muitas vezes sou questionado acerca de como um pastor, como eu fui, pode tornar-se ateu. E a reposta é simples e igual a de todos os outros que chegaram à conclusão de que deus não existe: a aceitação do desafio racional. O desafio de pôr em dúvidas as doutrinas religiosas e sua cosmovisão existencial. Isto é, permití-me duvidar, questionei a fé, aceitei o desafio de dar a razão da minha fé e das minhas crenças religiosas. Se houver honestidade por parte de qualquer pessoa ao fazer isso, chegará as mesmas conclusões que nos leva ao ateísmo. Portanto, o que posso dizer é que há situações e eventos na nossa vida religiosa que nos leva a reflexões. Fazemos indagações dos porquês. Queremos as explicações. E quando não nos satisfazemos com as justificativas da própria religião - que terminam com uma solene sentença: "deus é soberano", e procuramos as reais explicações racionais e lógicas, nesse momento acabamos de aceitar, então, o desafio da razão.
Por isso, contarei apenas alguns acontecimentos que me levaram, aos poucos, à aceitação desse desafio. Antes, quero fazer um resumo do meu know-row religioso:
* 18 anos de fé (cri em deus de todo o meu coração);
* 8 anos de obreiro;
* 8 anos de obreiro;
* 6 meses de presbitério (sendo 3 de efetivo exercício);
* 4 anos de graduação em Teologia;
* Congreguei-me e servi a deus em 4 igrejas diferentes:
Batista, Assembléia, Grupo Guerreiros de cristo (pentecostal), deus é amor;
Batista, Assembléia, Grupo Guerreiros de cristo (pentecostal), deus é amor;
* Batizado nas águas aos 14 anos;
* Batizado no espírito (com "evidência" de falar
em línguas);
em línguas);
* Testemunho irrepreensível na comunidade;
* Muitas renúncias feitas em nome de cristo e da sua
obra;
obra;
* Conferencista e professor de EBD (classe jovens e
adultos).
adultos).
* Pregador do evangelho (inclusive noutros países
(Venezuela e EUA). Esse foi o meu currículo, know-how e experiência cristãos.
(Venezuela e EUA). Esse foi o meu currículo, know-how e experiência cristãos.
Agora, trarei minhas memórias. Tentei escrever os eventos em ordem cronológica.
Bem. 18 anos de fé, não são 18 dias. É uma vida. Já ao final desse período, comecei a perceber que a minha vida começava a desmoronar em várias áreas. Pois, nesses 18 anos, pautei as minhas decisões pessoais dentro da "palavra de deus". Fiz renúncias em nome da fé. E, como deus nunca agiu, as consequências naturais dessa minha devoção, já começavam a me assaltar. Mas sempre aparecia alguém para dizer que eu estava passando por provação... Então, seguia em frente, convicto de que, realmente, era provação.
Depois, comecei a perceber que algo era estranho nessa conversa toda. Pois, as "provações" aconteciam na vida de todos os crentes que conhecia, exceto, na vida daqueles que não eram muito "fiéis" e não pautavam totalmente suas decisões pessoais na bíblia. Eles, na maioria das vezes, não pautavam suas decisões pessoais na "palavra de deus" e conseguiam atingir, quase sempre seus objetivos. Estes eram os únicos que se davam bem na igreja. Isso causava uma confusão na cabeça de muitos. Mas, sempre vinha na minha mente, a palavra do "espírito santo": "quem és tu, ó homem, para questionares a deus? deus é soberano"... Então, como um servo de deus, cheio de fé e firmeza em deus, seguia em frente e agradecia ao espírito santo pela "resposta" dada.
Depois, comecei a perceber que algo era estranho nessa conversa toda. Pois, as "provações" aconteciam na vida de todos os crentes que conhecia, exceto, na vida daqueles que não eram muito "fiéis" e não pautavam totalmente suas decisões pessoais na bíblia. Eles, na maioria das vezes, não pautavam suas decisões pessoais na "palavra de deus" e conseguiam atingir, quase sempre seus objetivos. Estes eram os únicos que se davam bem na igreja. Isso causava uma confusão na cabeça de muitos. Mas, sempre vinha na minha mente, a palavra do "espírito santo": "quem és tu, ó homem, para questionares a deus? deus é soberano"... Então, como um servo de deus, cheio de fé e firmeza em deus, seguia em frente e agradecia ao espírito santo pela "resposta" dada.
Devido as minhas aspirações ao presbitério (pastorado) - tinha recebido uma "revelação" de deus, através de um crente, em "profecia" que deus iria me colocar à frente de sua obra, comecei a auxiliar o pastor, inclusive, nos aconselhamentos pastorais. Nesses aconselhamentos, pessoas de muito mais tempo de fé do que eu, 30, 40 e até 50 anos, vinham e desabafavam ao pastor que suas vidas estavam desmorando completamente e eles não estavam entendendo. Dai, o pastor, sempre tinha a mesma palavra a dizer a todos: "Irmão, satanás está querendo tomar a tua vitória, pois sabe que já está perto de chegar. Aguenta só mais um pouquinho de tempo que deus vai te dar a vitória nessa provação e restituir tudo que você perdeu, em função da sua fé". Dai, eu começava a pensar comigo mesmo. Há pessoas aqui que já estão no fim da vida. Como ainda poderá ser restituido tudo que eles perderam na vida em função da fé? E de que isso ainda valerá se já estão no fim de suas vidas? Mas, como sempre, vinha a mente, versículos da bíblia que cria que fossem do espírito santo: "porque para deus não há impossíveis". Mas, algo pior aconteceu para "tentar abalar a minha fé": A morte de dois desses irmãos. Isso abriu uma confusão terrível em minha mente porque:
1 - Eles morreram e não tiveram vitória nas "provações". deus não lhes restituiu nada, nem lhes concedeu a mínima petição que eles há muito haviam feito ao sinhô e, que, pacientemente aguardavam;
2 - Eles tinham profecias de que deus lhes daria vitória;
A isto, o pastor dava duas respostas:
* aos parentes, dizia que os irmãos estavam na "glória", andando em "ruas de ouro" e, então, pra que vitória maior do que essa?
* a mim, ele dizia: "Jobson, deus sabe todas as coisas. Se eles não obtiveram as vitórias em suas vidas é porque não creram nele de todo o coração".
1 - Eles morreram e não tiveram vitória nas "provações". deus não lhes restituiu nada, nem lhes concedeu a mínima petição que eles há muito haviam feito ao sinhô e, que, pacientemente aguardavam;
2 - Eles tinham profecias de que deus lhes daria vitória;
A isto, o pastor dava duas respostas:
* aos parentes, dizia que os irmãos estavam na "glória", andando em "ruas de ouro" e, então, pra que vitória maior do que essa?
* a mim, ele dizia: "Jobson, deus sabe todas as coisas. Se eles não obtiveram as vitórias em suas vidas é porque não creram nele de todo o coração".
A princípio, achei uma falta de amor da parte do pastor em insinuar isso, visto que, todos os que os conheciam, sabiam da fidelidade dos tais irmão ao sinhô e a sua obra. Mas, calei o meu pensamento por causa do temor de estar tocando no "ungido do sinhô". Simplesmente, procurava esquecer isso e cantava um hino ao sinhô, exaltando a sua soberania". No final das contas, sempre vinha um versículo na minha mente como conforto do espírito santo. Nesse caso, eram estes: "quão inexcrutáveis são os teus caminhos, ó sinhô..." e "quem entendeu a mente do sinhô?".
Até que aconteceu algo inusitado em minha vida. Surgiu diante de mim uma situação importantíssima em que me exigia uma resposta dentro de um prazo de tempo determinado. Tinha que dar um "sim" ou um "não" como resposta. Isso iria ser fator determinante em minha vida dali pra frente. Só não podia ficar sem dar uma resposta. Dois, dias antes, consagrei-me ao sinhô. Tranquei-me em meu quarto e passei as 48 horas anteriores ao evento ao qual tinha que responder. Orando, louvando, lendo a palavra, jejuando e aguardando que deus me dissesse qual a resposta que deveria dar... A verdade é que esperei confiante até o último minuto... e não obtive resposta alguma! Por causa de não ter respondido, até hoje ainda sofro as consequências. Mas, a maior marca que foi deixada em minha alma naquele momento foi a decepção! Eu não precisava consultar a deus pra decidir. Podia tomar a decisão por mim mesmo. Mas, como bom e fiel servo de deus, queria a orientação do sinhô. Queria que o "senhor" da minha vida me guiasse, dissesse-me qual era a sua vontade. No momento em que mais precisei de deus, ele não me respondeu. Era apenas a sua vontade, a sua orientação que queria saber... um "sim" ou um "não"! deus teria feito pouco caso de mim, não teria dado a mínima pra mim.
Até que aconteceu algo inusitado em minha vida. Surgiu diante de mim uma situação importantíssima em que me exigia uma resposta dentro de um prazo de tempo determinado. Tinha que dar um "sim" ou um "não" como resposta. Isso iria ser fator determinante em minha vida dali pra frente. Só não podia ficar sem dar uma resposta. Dois, dias antes, consagrei-me ao sinhô. Tranquei-me em meu quarto e passei as 48 horas anteriores ao evento ao qual tinha que responder. Orando, louvando, lendo a palavra, jejuando e aguardando que deus me dissesse qual a resposta que deveria dar... A verdade é que esperei confiante até o último minuto... e não obtive resposta alguma! Por causa de não ter respondido, até hoje ainda sofro as consequências. Mas, a maior marca que foi deixada em minha alma naquele momento foi a decepção! Eu não precisava consultar a deus pra decidir. Podia tomar a decisão por mim mesmo. Mas, como bom e fiel servo de deus, queria a orientação do sinhô. Queria que o "senhor" da minha vida me guiasse, dissesse-me qual era a sua vontade. No momento em que mais precisei de deus, ele não me respondeu. Era apenas a sua vontade, a sua orientação que queria saber... um "sim" ou um "não"! deus teria feito pouco caso de mim, não teria dado a mínima pra mim.
Afinal de contas, a "palavra de deus" dizia: "quando orares, entra em teu quarto, fecha a tua porta, e ora ao sinhô em secreto e ele que te vê em secreto, te recompensará publicamente". A partir dai, as estruturas da minha fé realmente começaram a ser abaladas. Mesmo assim, acreditava que deus ainda iria me revelar o porquê de não ter me respondido.
Nas conversas com outros irmãos, já não tinha mais a voluntariedade e força pra dizer: "confia no sinhô, irmão. Ora a ele e ele te responderá". Ora, sentia-me como se estivesse mentindo. Visto que, a experiência pessoal que tivera com deus negava isso. Mesmo assim, continuava com a minha vida espiritual: orava, louvava, dava aulas na EBD, evangelizava, trabalhava na obra do sinhô como obreiro, comparecia em todos os cultos... Estava em busca da resposta de por quê deus não me respondera.
Não havia mais coragem em mim para pedir orientações ao sinhô para a minha vida. Orava e pedia que me orientasse, mas nada específico. Dai, então, inscrevi-me para a faculdade de Geografia. E, ao mesmo tempo para a de Teologia, pois, pelas profecias, tinha o "chamado" para pastorear a igreja. Cursava Geografia pela manhã, Teologia, à tarde e, à noite fazia a obra do sinhô na igreja.
Nas conversas com outros irmãos, já não tinha mais a voluntariedade e força pra dizer: "confia no sinhô, irmão. Ora a ele e ele te responderá". Ora, sentia-me como se estivesse mentindo. Visto que, a experiência pessoal que tivera com deus negava isso. Mesmo assim, continuava com a minha vida espiritual: orava, louvava, dava aulas na EBD, evangelizava, trabalhava na obra do sinhô como obreiro, comparecia em todos os cultos... Estava em busca da resposta de por quê deus não me respondera.
Não havia mais coragem em mim para pedir orientações ao sinhô para a minha vida. Orava e pedia que me orientasse, mas nada específico. Dai, então, inscrevi-me para a faculdade de Geografia. E, ao mesmo tempo para a de Teologia, pois, pelas profecias, tinha o "chamado" para pastorear a igreja. Cursava Geografia pela manhã, Teologia, à tarde e, à noite fazia a obra do sinhô na igreja.
Tornei-me mais crítico com relação às coisas que via na igreja.
Lembro-me de uma situação que foi revoltante pra mim na época. Era a época em que explodiam no mercado os mp3, mp4, mpn... Os preços de tais produtos, na época eram um pouco "salgados" para o bolso de um trabalhador assalariado. Com muito esforço, consegui presentear o meu guri com um mp3. Como sempre conduzi a minha família nos caminhos do sinhô, a humildade era presente em nossos hábitos. A alegria do meu filho foi imensa e, meu coração se encheu de satisfação em poder ter dado aquele presente a ele. E eu lhe disse: "meu filho, deus deu ao papai e a mamãe condições de lhe comprar esse presente". Era operário e estava desempregado no momento; Minha esposa, técnica em enfermagem. Nossos vencimentos eram poucos e, havia meses que passávamos apertados. Sempre havia recusado qualquer remuneração da igreja, embora exercesse cargos os mais diversos.
Lembro-me de uma situação que foi revoltante pra mim na época. Era a época em que explodiam no mercado os mp3, mp4, mpn... Os preços de tais produtos, na época eram um pouco "salgados" para o bolso de um trabalhador assalariado. Com muito esforço, consegui presentear o meu guri com um mp3. Como sempre conduzi a minha família nos caminhos do sinhô, a humildade era presente em nossos hábitos. A alegria do meu filho foi imensa e, meu coração se encheu de satisfação em poder ter dado aquele presente a ele. E eu lhe disse: "meu filho, deus deu ao papai e a mamãe condições de lhe comprar esse presente". Era operário e estava desempregado no momento; Minha esposa, técnica em enfermagem. Nossos vencimentos eram poucos e, havia meses que passávamos apertados. Sempre havia recusado qualquer remuneração da igreja, embora exercesse cargos os mais diversos.
Numa noite, no culto, de repente, meu filho chega pra mim com o aspecto do rosto mudado. Ao que, perguntei-lhe:
- O que houve, filho?
- Papai, o senhor disse que deus não faz acepção de pessoas.
- Sim, meu filho.
- Não é verdade. deus fez isso comigo.
- O que houve, filho?
- Papai, o senhor disse que deus não faz acepção de pessoas.
- Sim, meu filho.
- Não é verdade. deus fez isso comigo.
Não havia entendido e quando cheguei em casa lhe questionei mais a fundo. E ele me relatou que o filho de um irmão riquinho da igreja, havia lhe humilhado com um mp7 e que portanto, deus havia feito acepção de pessoas ao dar um presente muito melhor ao Isaias do que a ele.
Indignei-me com aquilo. Parecia uma bobagem, mas para o universo psicológico de uma criança era algo muito sério.
Indignei-me com aquilo. Parecia uma bobagem, mas para o universo psicológico de uma criança era algo muito sério.
Naquela mesma noite em oração, invoquei a deus para uma conversa e desabafei:
"Tu cobre de bênçãos os ricos aqui na terra e para os pobres trabalhadores assalariados como a gente tem somente o céu, depois que morrer! Não percebes isso que fazes?! E fica um monte de gente nas igrejas que não têm nada nesta vida se humilhando diante dos riquinhos, dos "abençoados" da congregação. Nascem pobres e morrem desprovidos e ainda ficam te servindo! Nas igrejas são servos. Lavam os primeiros bancos para os "abençoados" sentarem enquanto eles ficam em pé, escorados nas portas do templo. O ricaço "abençoado" chega e é saudado por todos e coberto de honras. Enquanto que o pobre servo ninguém percebe e valoriza!
Bênçãos no céu?! Deverias nos abençoar é agora! Por que vc fazes acepção? Por que os "abençoados" são contemplados aqui na terra e no céu também e nós somos tratados com chibatas e sendo humilhados por ti aqui? Só tem um nome para isso: ACEPÇÃO DE PESSOAS!"
O tal irmão rico tinha um testemunho totalmente repreensível na igreja, era mundano e insubmisso a deus e à igreja. Seus filhos eram motivos de escândalos na igreja. E, mesmo assim, os tais nunca foram disciplinados pelo pastor. Enquanto que, ao mínimo sinal dessas coisas coisas no restante da igreja, eram severamente disciplinados.
Essas e outras coisas acerca no comportamento da igreja, passei a notar e pensar de maneira crítica.
Certa vez, na faculdade, fiquei sabendo de uma palestra sobre geologia no auditório do departamento. Como não havia nada pra fazer depois da aula, resolvi ficar no departamento e assistir a palestra. Após a palestra, conheci o palestrante, Damião Antares e, ao perceber que carregava minha Bíblia, soube que eu era crente. Daí, ele me convidou pra tomar umas cervejas com ele numa lanchonete do campus e aceitei - incrível ter aceitado sem hesitação! Nunca havia colocado uma única gota de bebida alcoólica na minha boca. Mas naquele dia tomei acho que umas 2 ou 3 latinhas. Ele começou a me falar de ateísmo e da sua vida antes do ateísmo. Só que me falava de um ponto de vista que nunca havia estudado. O das Ciências Naturais e Exatas. No momento, não pude refutar nenhuma das suas teorias, pois o ateísmo de que tinha conhecimento era do ponto de vista filosófico (meus dois cursos eram das áreas de Humanas: Geografia e Teologia). Depois da conversa, ofereceu-me uma carona até a minha casa e aceitei. Deste dia em diante, passamos a ser amigos. Daí, um dia fui convidado para fazer parte de um grupo de amigos dele que iriam passar um mês viajando pelo Brasil em diversão. Como nunca havia vivido esta experiência, aceitei. Falei pra minha mulher que faria uma viagem missionária a convite de um conhecido de outra igreja e fui com eles. No grupo eram oito rapazes em quatro carros. Saímos de Aracaju em viagem a Salvador, Teresina, São Luiz, Fortaleza e Natal. Aproximadamente uma semana em cada.
"Tu cobre de bênçãos os ricos aqui na terra e para os pobres trabalhadores assalariados como a gente tem somente o céu, depois que morrer! Não percebes isso que fazes?! E fica um monte de gente nas igrejas que não têm nada nesta vida se humilhando diante dos riquinhos, dos "abençoados" da congregação. Nascem pobres e morrem desprovidos e ainda ficam te servindo! Nas igrejas são servos. Lavam os primeiros bancos para os "abençoados" sentarem enquanto eles ficam em pé, escorados nas portas do templo. O ricaço "abençoado" chega e é saudado por todos e coberto de honras. Enquanto que o pobre servo ninguém percebe e valoriza!
Bênçãos no céu?! Deverias nos abençoar é agora! Por que vc fazes acepção? Por que os "abençoados" são contemplados aqui na terra e no céu também e nós somos tratados com chibatas e sendo humilhados por ti aqui? Só tem um nome para isso: ACEPÇÃO DE PESSOAS!"
O tal irmão rico tinha um testemunho totalmente repreensível na igreja, era mundano e insubmisso a deus e à igreja. Seus filhos eram motivos de escândalos na igreja. E, mesmo assim, os tais nunca foram disciplinados pelo pastor. Enquanto que, ao mínimo sinal dessas coisas coisas no restante da igreja, eram severamente disciplinados.
Essas e outras coisas acerca no comportamento da igreja, passei a notar e pensar de maneira crítica.
Certa vez, na faculdade, fiquei sabendo de uma palestra sobre geologia no auditório do departamento. Como não havia nada pra fazer depois da aula, resolvi ficar no departamento e assistir a palestra. Após a palestra, conheci o palestrante, Damião Antares e, ao perceber que carregava minha Bíblia, soube que eu era crente. Daí, ele me convidou pra tomar umas cervejas com ele numa lanchonete do campus e aceitei - incrível ter aceitado sem hesitação! Nunca havia colocado uma única gota de bebida alcoólica na minha boca. Mas naquele dia tomei acho que umas 2 ou 3 latinhas. Ele começou a me falar de ateísmo e da sua vida antes do ateísmo. Só que me falava de um ponto de vista que nunca havia estudado. O das Ciências Naturais e Exatas. No momento, não pude refutar nenhuma das suas teorias, pois o ateísmo de que tinha conhecimento era do ponto de vista filosófico (meus dois cursos eram das áreas de Humanas: Geografia e Teologia). Depois da conversa, ofereceu-me uma carona até a minha casa e aceitei. Deste dia em diante, passamos a ser amigos. Daí, um dia fui convidado para fazer parte de um grupo de amigos dele que iriam passar um mês viajando pelo Brasil em diversão. Como nunca havia vivido esta experiência, aceitei. Falei pra minha mulher que faria uma viagem missionária a convite de um conhecido de outra igreja e fui com eles. No grupo eram oito rapazes em quatro carros. Saímos de Aracaju em viagem a Salvador, Teresina, São Luiz, Fortaleza e Natal. Aproximadamente uma semana em cada.
A única coisa que sabia era que iríamos nos divertir. Só isso. Uma palavra que ouvi do Damião foi: “Jobson, você será uma outra pessoa quando terminar a viagem”. Somente depois de alguns dias fui entender como funcionava a diversão.
Hospedávamo-nos em um hotel da cidade, cada qual em sua própria suíte. Encontrávamo-nos após o almoço, por volta das 16 horas e, primeiramente, reuníamo-nos na piscina do hotel ou na praia. Na primeira dessas reuniões, Damião abriu uma caixa empacotada e tirou oito caixinhas menores, entregou uma pra cada e disse: “este é o nosso desafio!”. Abri o meu pacote e, pra minha surpresa haviam, contadas, sessenta camisinhas. Ele continuou: “marmanjos irmãos, como o nosso irmão Jobson ainda não conhece as regras, terei de repeti-las. Quem utilizar mais camisinhas, vencerá o desafio e terá todas as suas despesas pagas no próximo ano”. Daí, ele tirou uma agenda e começou a fazer ligações, e acertar com irmãs (evangélicas) visitas as suas igrejas e algo mais a fazer. Havia vários nomes na agenda dele. Pra minha surpresa todas essas garotas eram crentes. Nós íamos aos cultos de suas igrejas e depois marcávamos encontros noutros locais (churrascarias, praias, estádios de futebol). Após isso, cada qual com a sua, as levávamos para a nossa suíte ou para um motel e transávamos com elas.
Resumindo. Eram farras com irmãs em cristo e, cuja finalidade era levá-las para a cama. Elas nos evangelizavam, nos levavam para o culto, orávamos, louvávamos - enganado-as, claro, saíamos com elas, e, depois de muita bebida na cabeça, elas transavam conosco. Todos os dias nas reuniões que fazíamos antes de sairmos para a farra, nós contávamos os detalhes de como tinha sido com as irmãs na cama... Passávamos aproximadamente uma semana numa cidade e, depois, partíamos para outra. Afora os objetivos principais, que era transarmos com irmãs em cristo, frequentávamos cabarés (bordéis, boates), mas as camisinhas gastas nesses locais não podiam ser contabilizadas no desafio.
Depois, fui descobrir que os nomes das irmãs na agenda do Damião eram obtidos dos contatos dele no Orkut.
A verdade é que, realmente, depois das farras eu não era mais a mesma pessoa. Dos oito componentes do grupo, seis eram desviados. E eles relataram suas experiências nas igrejas evangélicas. Relataram coisas que, naquele momento, eu jamais havia imaginado que acontecesse nos bastidores das igrejas. Isto, aliando-se ao fato de ter constatado a hipocrisia das irmãs que saíam conosco, deixaram o meu entendimento muito diferente. As irmãs demonstravam ser santas, nas vestes, nas palavras, no trabalho na obra (muitas eram obreiras, levitas, professoras de EBD e até pastoras). Conhecemos muitas igrejas.
A verdade é que, realmente, depois das farras eu não era mais a mesma pessoa. Dos oito componentes do grupo, seis eram desviados. E eles relataram suas experiências nas igrejas evangélicas. Relataram coisas que, naquele momento, eu jamais havia imaginado que acontecesse nos bastidores das igrejas. Isto, aliando-se ao fato de ter constatado a hipocrisia das irmãs que saíam conosco, deixaram o meu entendimento muito diferente. As irmãs demonstravam ser santas, nas vestes, nas palavras, no trabalho na obra (muitas eram obreiras, levitas, professoras de EBD e até pastoras). Conhecemos muitas igrejas.
Toda essa hipocrisia dessas irmãs me levou a adotar um pensamento mais crítico ainda com relação a deus e a igreja. A amizade com eles evoluiu e se solidificou cada vez mais e, em meados do mesmo ano, Damião resolve criar uma igreja pra ele. Comprou um sítio em Aracaju, batizou-o de sítio Unção, construiu um templo e registrou em cartório com o nome de Igreja Peniscostal do Poder. Muitas daquelas irmãs que transaram conosco nas farras das viagens vieram a freqüentar a nossa igreja. Damião sempre muito irreverente era o pregador. Ele pregava o ateísmo. Como cientista de formação, dava-nos palestras e estudos sobre ciências e suas teorias sobre a inexistência de deus. Mas o objetivo principal da igreja era um local para transarmos com as irmãs. Dentro do templo construído havia um salão em que nos reuníamos para bebermos, comermos churrasquinhos e, depois, praticarmos orgias com as irmãs.
Mas, não revelara a ninguém de que natureza era a IPP. Todos pensavam se tratar de uma igreja de verdade. Por isso, prossegui com a minha vida normal na congregação e na faculdade de Teologia e a cada dois meses, viajava para Aracaju e participava das reuniões da IPP.
Mas, já deslumbrava a explicação para o fato de deus não ter me respondido. deus não existia. A amizade com Damião e suas explicações sobre a ausência de evidências no universo a confirmar a sua palavra (bíblia) era, realmente, intrigante. No entanto, pra mim, ainda não era o bastante para abandonar a minha fé. Era apenas o inicio.
Mas, já deslumbrava a explicação para o fato de deus não ter me respondido. deus não existia. A amizade com Damião e suas explicações sobre a ausência de evidências no universo a confirmar a sua palavra (bíblia) era, realmente, intrigante. No entanto, pra mim, ainda não era o bastante para abandonar a minha fé. Era apenas o inicio.
Há uma ano de concluir o bacharelado em Teologia, assumi o cargo de pastor interino da congregação, com a transferência do pastor titular para outra congregação. Com isso, fui obrigado a frequentar as reuniões administrativas. Essas reuniões, eram realizadas no templo sede e eram fechadas aos pastores. Era prestado contas do "caixa 1" da igreja. Entradas e saídas de recursos oriundos de dízimos, ofertas e arrecadações extras (cultos e eventos especiais, venda de lanche, retiros, etc.) de todas as congregações da minha igreja. Para minha surpresa tomei conhecimento de coisas até então surpreendentes. Parte do dinheiro arrecado ia descaradamente para o patrimônio particular dos pastores!!! Sob a forma de casas próprias para ele e parentes, carros novos, fora a remuneração mensal que já recebiam!!!
Por essa época, aconteceu o falecimento de um irmão "em cristo", evangelista, valoroso na obra e com testemunho irrepreensível que há muitos anos padecia de influência renal. Ele sofria com 3 sessões de hemodiálise por semana. O mesmo recebera várias profecias em que deus prometia lhe curar. E ele cria nas promessas de deus a ponto de rejeitar o transplante quando surgiu um rim disponível. Pois, dizia ele que sua fé era em deus e não na ciência. Manifesto foi a todos uma última profecia que ele recebeu dizendo que devido a ele ter recusado o transplante, deus honraria grandemente a fé dele. Pouco tempo depois, o mesmo faleceu por complicações renais. Isso me levou a uma profunda reflexão sobre a veracidade de milagres.
Pelo fato de nas reuniões administrativas pronunciar-me contrariamente a utilização do dinheiro das doações para formação do patrimônio dos pastores, o pastor-presidente, me afastou do cargo de pastor interino e enviou uma pastora para dirigir a congregação. Esse foi o momento mais negro da história da congregação desde que havia me amembrado a ela. Vários escândalos varreram a congregação. A pastora se dizia ex-lésbica convertida e transformada pelo sinhô. Todos acreditavam nela até que um dia a mentira veio à tona. Não houve aula na faculdade de Teologia e cheguei mais cedo a igreja. Como ainda era um obreiro, possuia uma cópia da chave de cada dependência. Resolvi passar no gabinete pastoral e pegar alguns livros meus que ainda estavam por lá. Ao aproximar-me da porta, ouvi gemidos vindo do lado de dentro do gabinete. Por já suspeitar do que se tratava, convidei uns irmãos que moravam vizinhos à igreja para servirem de testemunhas. Coloquei a chave na fechadura da porta e abri procurando fazer o menor ruído possível. Funcionou. A porta foi aberta e flagramos a pastora nua de quatro com o rosto na vagina da levita, a qual também estava nua e arreganhada sobre o birô. Não vou tecer mais detalhes porque sei que há adolescentes na comunidade e quero poupar-vos. Mas, a cena que flagramos não poderia ter sido melhor para provar a hipocrisia da pastora e da levita. Quer dizer: a pastora, "expulsava" demônios das pessoas e nas pregações pregava a santidade, contra o pecado, contra o sexo livre, contra os homossexuais e estava lá praticando essas mesmas coisas; a levita estava lá nos cultos, cheia da "unção" e do "poder", louvando hinos que falavam em libertação do pecado e tudo mais e, às escondidas praticando o contrário. E os irmãos sendo enganados!
sso me levou de volta ao púlpito como pastor interino. Com isso, resolvi investigar melhor o que acontecia com os "oficiais" da igreja e descobri coisas inacreditáveis:
* Um evangelista que saia para os evangelismos com outros obreiros, usando o veículo da igreja. Depois da oração de consagração, saiam no veículo e, ao verem, uma garota de shortinho nas ruas ficavam chamando-as de gostosas e fazendo "fiu...fiu...". Ao chegarem nas casas dos futuros "discípulos" do sinhô, ficavam varrendo a casa com a visão a procura de revistas masculinas e de pornografia. E quando as achava, começavam folheá-las na maior cara de pau; Isso depois de terem lido a "palavra de deus", orado e cantado hinos de louvor!
* Um diácono casado que dava em cima de uma levita, também casada. Um dia, ele agarrou a levita e força e, a mesma, levou ao meu conhecimento o fato. Num culto, pedi ao diácono que se apresentasse no púlpito, ele confessou e ainda relatou que todos os dias, na varanda da sua casa, deitava-se e começava a "bater punheta", imaginando-se em cenas sexuais com a levita!
* Uma irmã missionária, solteira que se encontrava com o pastor anterior da igreja, o titular, o qual era casado e mantinha relações sexuais com ele. Mesmo depois da transferência do pastor titular para outra congregação, eles continuaram a se encontrar. Ela engravidou. Assim que descobriu, inventou uma viagem missionária ao exterior. Tudo mentira. De repente, ela aparece na igreja com o filho ao lado e para justificar, inventou que havia casado com um gringo lá no estrangeiro e tido um filho com ele. Só que a criança era a cara do pastor titular! Descobri a verdade, quando um dia, ela esqueceu o celular sobre a minha mesa e deu uma saída. Repentinamente, o telefone toca e era uma mensagem de um número que eu conhecia bem: o do pastor titular. Abri a mensagem e a mesma dizia: "fulaninha, minha gostosinha. Sou tarado pela sua bunda". Na volta dela, mostrei a mensagem e ela, ficou sem saída, confessou tudo.
* Um evangelista que saia para os evangelismos com outros obreiros, usando o veículo da igreja. Depois da oração de consagração, saiam no veículo e, ao verem, uma garota de shortinho nas ruas ficavam chamando-as de gostosas e fazendo "fiu...fiu...". Ao chegarem nas casas dos futuros "discípulos" do sinhô, ficavam varrendo a casa com a visão a procura de revistas masculinas e de pornografia. E quando as achava, começavam folheá-las na maior cara de pau; Isso depois de terem lido a "palavra de deus", orado e cantado hinos de louvor!
* Um diácono casado que dava em cima de uma levita, também casada. Um dia, ele agarrou a levita e força e, a mesma, levou ao meu conhecimento o fato. Num culto, pedi ao diácono que se apresentasse no púlpito, ele confessou e ainda relatou que todos os dias, na varanda da sua casa, deitava-se e começava a "bater punheta", imaginando-se em cenas sexuais com a levita!
* Uma irmã missionária, solteira que se encontrava com o pastor anterior da igreja, o titular, o qual era casado e mantinha relações sexuais com ele. Mesmo depois da transferência do pastor titular para outra congregação, eles continuaram a se encontrar. Ela engravidou. Assim que descobriu, inventou uma viagem missionária ao exterior. Tudo mentira. De repente, ela aparece na igreja com o filho ao lado e para justificar, inventou que havia casado com um gringo lá no estrangeiro e tido um filho com ele. Só que a criança era a cara do pastor titular! Descobri a verdade, quando um dia, ela esqueceu o celular sobre a minha mesa e deu uma saída. Repentinamente, o telefone toca e era uma mensagem de um número que eu conhecia bem: o do pastor titular. Abri a mensagem e a mesma dizia: "fulaninha, minha gostosinha. Sou tarado pela sua bunda". Na volta dela, mostrei a mensagem e ela, ficou sem saída, confessou tudo.
Finalmente, após essas e muitas outros escândalos e reflexões, pude concluir via experiência pessoal de fé - aliando ao que já havia sido orientado via reflexões científicas e lógicas - que deus não existe.
Entretanto, não sai de imediato da igreja. Permaneci lá, como pastor, até ser excluído. Aproveitei esse ínterim para divulgar as minhas conclusões para a congregação. Restringi os cultos aos Domingos a noite, suspendi o recolhimento de dízimos e ofertas e passei por 4 semanas seguidas os seguintes vídeos no telão da igreja:
*Zeitgeist - The Movie (aquele que revela que o jesus é um mero plágio);
*Zeitgeist - Addendum;
*A Raiz de Todo o Mal (Dawkins).
O resultado foi surpreendente. Quando pensei que iria enfrentar grande oposição, não aconteceu. Os irmão demonstraram até certo interesse sobre os assuntos, sobretudo o Zeitgeist.
Na 5ª semana, decidi finalizar o trabalho. No púlpito, peguei o microfone, respirei fundo e falei: Quero fazer uma pergunta aos amados. Quero que reflitam com sinceridade e me respondam: Quem aqui tem certeza que deus alguma vez interveio na sua vida, fique de pé.
Entretanto, não sai de imediato da igreja. Permaneci lá, como pastor, até ser excluído. Aproveitei esse ínterim para divulgar as minhas conclusões para a congregação. Restringi os cultos aos Domingos a noite, suspendi o recolhimento de dízimos e ofertas e passei por 4 semanas seguidas os seguintes vídeos no telão da igreja:
*Zeitgeist - The Movie (aquele que revela que o jesus é um mero plágio);
*Zeitgeist - Addendum;
*A Raiz de Todo o Mal (Dawkins).
O resultado foi surpreendente. Quando pensei que iria enfrentar grande oposição, não aconteceu. Os irmão demonstraram até certo interesse sobre os assuntos, sobretudo o Zeitgeist.
Na 5ª semana, decidi finalizar o trabalho. No púlpito, peguei o microfone, respirei fundo e falei: Quero fazer uma pergunta aos amados. Quero que reflitam com sinceridade e me respondam: Quem aqui tem certeza que deus alguma vez interveio na sua vida, fique de pé.
Esperei provavelmente uns dez minutos em silêncio e de cabeça baixa por detrás do culto. Ergui a cabeça e fitei a congregação. Não havia ninguém de pé! Logo em seguida, alguém gritou: pastor, o que farei com a minha bíblia? Ao que não respondi com palavras. Peguei minha bíblia, joguei-a no chão com muito desprezo e chutei-a pra longe. Peguei o microfone novamente e disse: o culto está encerrado. Fui embora e não voltei mais.
Depois, fui sendo visitado, aos poucos, por muitos dos 308 membros da congregação. Os quais me relataram que todos haviam saído da igreja e agora eram ateus convictos e esclarecidos.
Depois, fui sendo visitado, aos poucos, por muitos dos 308 membros da congregação. Os quais me relataram que todos haviam saído da igreja e agora eram ateus convictos e esclarecidos.










Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.