quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O deus Gene e a verdade sobre o comportamento humano


Primeiramente, se dizia que uma pessoa tinha um comportamento aberrante por causa de sua "natureza humana", essa é a ideia de muitas religiões, inclusive a cristã. Mais recentemente, após a descoberta dos genes, uma nova ideia passou a ser cultuada como um dogma e, devido a isso,chegou-se a fanatismos, como a eugenia, teoria que visava selecionar uma raça pura  e que matou milhões de seres humanos nos regimes nazistas e fascistas. Não obstante, a essas atrocidades cometidas num passado recente, hoje em dia, ainda é forte a crença sustentada por alguns grupos fanáticos (dentre eles, os ditos "humanistas seculares") que pregam que o comportamento humano é determinado pelos genes, irresistivelmente. Principalmente, para tentar justificar comportamentos que viraram modinha atualmente, como por exemplo, a prática homossexual. O que resulta na crença de que se alguém tem um comportamento homossexual, este é irresistível, porque, supostamente, estaria nos genes dele e nada se pode fazer... quanta semelhança com a doutrina cristã da predestinação, só que com a capa de "ciência". Restaria ao pobre indivíduo se render ao deus gene e ninguém poderia questionar nada, somente dizer "amém". Na verdade, por causa dessa conotação quase espiritual, quase sobrenatural, essa crença está muito mais próxima das pseudociências do que das ciências e, às vezes, até se confunde com a teoria notadamente religiosa da "natureza humana" e, poderíamos até mesmo, dizer que é meramente uma versão enfeitada.

Estudos sugerem que a influência dos genes num indivíduo existem, no entanto muito longe de serem as forças irresistíveis de "entidades poderosas" propostas pelos crentes do Todo-Pederoso Deus Gene. A relação do gene com o comportamento humano não é de determinância. O fator que realmente determina o comportamento de alguém é o ambiente em que ele vive e, principalmente, o que teve em sua idade de formação psicológica: a infância. A seguir, exporemos dados e estudos que explicam porque é mais razoável supor que o ambiente seja o fator determinante e não a "natureza humana" ou os genes.

Algumas pessoas que consideram os princípios de uma economia baseada em recursos pensam que o sistema seria difícil devido a algo que chamam de "natureza humana". Elas argumentam que humanos são inerentemente competitivos, gananciosos e inconscientemente egoístas, o que significa que não importa o quão tecnicamente boas estejam as coisas na sociedade, sempre existirão pessoas "corruptas" que desejam abusar e buscam dominar os outros.

A "natureza humana" é definida como: "atributos psicológicos que são tidos como comuns a todos os seres humanos". O termo então insinua que certos comportamentos psicológicos e, portanto mentais são de alguma forma, "embutidos" numa pessoa. Por conseguinte, existe a crença de que nascemos com algumas tendências psicológicas pré-estabelecidas.

É fácil perceber como esse tipo de concepção se manifestou, pois se olharmos para a história da espécie humana até aqui, veremos uma interminável série de guerras, genocídios, dominações e abusos de poder. Uma vez que esse é o padrão que reconhecemos. É fácil supor que deve ser da "natureza humana" ou do "instinto" se comportar da maneira que historicamente se repete.

O suposto "comportamento criminoso" tem sido um foco no campo da psicologia por muito tempo. Seria a reatividade da constituição genética de um indivíduo que o torna um suposto "criminoso", ou seria o ambiente no qual ele cresceu que determina isso? Essa é a antiga questão de "natureza contra criação".

Primeiro, o que exatamente seria um comportamento criminoso? Como qualificamos distinções comportamentais que foram inventadas pelo homem e se transformaram ao longo do tempo? Todo o conceito de criminalidade é temporal e relativo aos valores e conceitos de moral da cultura.

Há apenas 600 anos, os Astecas exerciam sacrifícios humanos em massa para seus deuses, muitas vezes matando dezenas de milhares de uma só vez. Isso foi uma atividade criminosa? Para nós, talvez. Mas para eles foi um costume social aceitável. E quanto à escravidão que foi aceita por gerações e gerações? Na sociedade moderna seria ilegal manter alguém em cativeiro e forçá-lo a trabalhar sem remuneração. É um criminoso alguém que rouba comida a fim de alimentar sua família que morre de fome?

A maioria dos psicólogos e geneticistas comportamentais hoje tenta tratar dessa subjetividade através da redução de supostas "tendências criminais" a comportamentos denominados anti-sociais, impulsivos e agressivos. Por mais amplas e interpretativas que essas caracterizações possam ser. Eles também catalogam e examinam supostos "distúrbios de personalidade", tais como a indecisão, esquizofrenia e obsessão.

A ideia da genética como a razão do suposto comportamento aberrante tornou-se popular no início do século XIX. Foram feitas até mesmo operações eugênicas na forma de esterilização a fim de "livrar a sociedade de criminosos, idiotas, imbecis e estupradores”. Contudo, os geneticistas comportamentais irão hoje admitir que ninguém jamais encontrou um "gene criminoso".

Antes, o trabalho deles hoje tende a focar-se na interação de neuroquímicos” no cérebro, juntamente com estudos baseados em observações que envolvem família, gêmeos e adoção.

A começar com os estudos baseados em observações, hoje está muito bem provado que a família e estudos de gêmeos criados juntos (gêmeos que crescem juntos) são métodos ineficientes de pesquisa genética comportamental. Esses métodos se confundem com fatores ambientais, já que os membros da família partilham do mesmo ambiente.

No entanto, pesquisas de “gêmeos criados separadamente” aparentam serem métodos melhores, pois os ambientes são pelo menos consideravelmente diferentes dos ambientes da família original. Hoje, os estudos mais frequentemente citados que defendem princípios genéticos para distúrbios de personalidade e tendências comportamentais provêm de “estudos de gêmeos criados separadamente”.

Embora o estudo de gêmeos criados separadamente pareça eliminar o problema de influências ambientais mútuas com relação a padrões familiares, esse método é contaminado pelo problema de os gêmeos crescerem em ambientes muito similares: social, econômica e culturalmente.

Por exemplo, um dos mais famosos estudos de gêmeos criados separadamente foi um que é muitas vezes chamado de Estudo de Minnesota. Trezentos e quarenta e oito pares de gêmeos foram estudados na Universidade de Minnesota, sendo o caso mais notável desse estudo, frequentemente citado em defesa da origem genética para o comportamento, conhecido como o caso dos "gêmeos Jim".


Jim Lewis e Jim Springer foram separados quatro semanas depois de nascerem em 1940, eles cresceram 72 quilômetros distantes um do outro em Ohio e foram reunidos em 1979.

O estudo desses gêmeos idênticos reunidos posteriormente produziu as seguintes concordâncias:

· Ambos os gêmeos estavam casados com mulheres de nome Betty e divorciados de mulheres de nome Linda;
· Um colocou em seu primogênito o nome James Alan, enquanto o outro deu a seu primeiro filho o nome James Allan;
· Ambos os gêmeos tinham um irmão adotado cujo nome era Larry;
· Os dois puseram em seu cão de estimação o nome "Toy";
· Ambos haviam tido algum treinamento de imposição da lei e tinham sido assistentes de xerife em Ohio;
· Os dois eram ruins em ortografia e bons em matemática;
· Os dois fizeram carpintaria, desenho mecânico e serigrafia.

Em primeiro lugar, que fique bem claro que ambos os "Jims" cresceram somente a 72 quilômetros um do outro em Ohio. Considerando a proximidade dos gêmeos e as disposições culturais comuns da região, é seguro afirmar que os dois homens foram sujeitos a valores e tradições bastante similares.

Culturalmente, Ohio como um todo tem pouca diversidade quando comparada a outros estados. 86% do estado é branco, ao passo que 82% é cristão. Isso é importante porque quanto menos diversidade uma região possuir, mais uniformes serão as influências ambientais. Outro importante elemento que esse autor não pôde expressar devido à falta de informação disponível é as disposições culturais e valores dos pais envolvidos. Se os pais dos dois "Jims" também fossem nativos da região de Ohio para onde eles foram levados, reforçaria ainda mais a propensão de semelhanças culturais e, portanto, comportamentais.

Quanto aos dois estarem casados com mulheres de nome Betty e divorciados de mulheres de nome Linda, no topo dos mil nomes femininos mais comuns em existência nos Estados Unidos, Linda é o 3º e Betty, o 14º. Isso é estaticamente incrível em vista dos nomes em existência, mostrando uma grande probabilidade de coincidência. Quanto aos nomes "James Alan" e "James Allan", o nome mais comum nos Estados Unidos é... James!

Quanto ao Allan/Alan, seria necessário realizar mais pesquisas sobre o motivo cultural por trás desses nomes do meio na região de Ohio em que ambos viveram. Em relação aos "dois gêmeos terem um irmão adotado cujo nome era Larry", isso é uma coisa muito estranha dos pesquisadores de Minnesota relatarem, pois a tradição de dar nome aos filhos vem comumente dos pais, não dos outros filhos. O que isso na verdade revela nada tem a ver com os "gêmeos Tim", mas sim mostra uma poderosa semelhança cultural dos pais. Se cada um dos pais tinham a propensão dar a um filho o nome Larry, isso então sugere que os pais eram provavelmente muito similares culturalmente, revelando assim que que as influências ambientais nos dois "Jims" eram também bastante semelhantes.

Depois vêm os cães chamados "Toy". Bem, embora "Toy" não seja um nome de cachorro comum, precisamos descobrir de onde veio o nome em primeiro lugar.

Alguém tinha de sugerir o nome aos "Jims" para que eles o conhecessem primeiramente. O motivo para esse nome pode ter muitas faces e ser derivado logicamente do ambiente. Por exemplo, quase todos os cães domésticos tradicionalmente têm brinquedos (em inglês, "toys") dados por seus donos. O advento do nome "Toy" pode ter vindo de uma associação feita por um jovem Jim ouvido um dos pais se referindo ao brinquedo (toy) quando brincava com o cão.

Houve casos históricos, por exemplo, de mães que diziam aos filhos que estavam apenas aprendendo a falar algo como "papai chegou em casa" ao anunciarem a chegada do pai para o filho. A criança eventualmente ouviria essas palavras e as associaria com o pai entrando em casa. Nessa situação comum, algumas crianças confundiram a figura do pai com a palavra "casa" em vez de "papai". Nesse caso, elas depois perguntariam "quando casa vai voltar pra casa?". Em outras palavras, a palavra brinquedo (toy, em inglês) poderia ter sido um nome referido que foi redefinido pelo contexto. No caso dos gêmeos Jims, não temos informações suficiente para saber se o nome "Toy" é genético ou ambiental, mas o bom senso tende naturalmente para o ambiente.

Mas o propósito aqui não é desenvolver uma investigação cheia de argumentos sobre a falta de validade do estudo dos gêmeos. O ponto aqui é expor que fatores culturais orientados dentro da sociedade são tão poderosos quanto fatores familiares. Os "gêmeos Jim" cresceram na mesma região e tiveram influências de valores e ambientais similares. Essa questão deve ser fatorada e deve ser feita uma profunda análise sobre as causas culturais envolvidas no estudo. No geral, o estudo dos gêmeos, embora muito elogiado, demonstra extrema fraqueza na compreensão da verdadeira casualidade de uma concordância em particular.

Contudo, isso não significa que a genética não exerce uma influência em nossas vidas. É muito importante considerar os verdadeiros traços genéticos e os efeitos que eles provocam quando misturados com a cultura.

Apesar de a maioria concordar que atributos físicos como cor dos olhos, altura e algumas alergias são genéticos, muitos não consideram as consequências desses atributos na formação do ambiente dessa pessoa. Por exemplo, suponhamos que você tenha dois gêmeos idênticos separados depois do nascimentos e cada um tenha uma predisposição genética para passar dos 1,80 m de altura, os dois tenham um forte metabolismo que os mantêm magros, e um sistema nervoso que permite uma coordenação olho-mão aguçada. Digamos que ambos fossem adotados por famílias de classe média em ambientes suburbanos e crescessem no que seria considerado uma cultura juvenil tradicional americana, incluindo esportes e atividades. Uma vez que os dois irmãos possuem alturas avantajadas e coordenação superior geneticamente, eles levarão vantagem nos esportes. E como o basquete e o futebol americano são os dois principais esportes nos Estados Unidos, eles provavelmente acabarão por se tornarem jogadores de um dos dois. Considerando a esbelta compleição e elevada altura deles, devem ter uma propensão maior para o basquete. Se eles obtiverem apoio moral dos amigos e família, talvez jogarão profissionalmente quando crescerem.

Seria essa atividade de jogar basquetebol genética? Não no sentido que alguns geneticistas comportamentais sugeririam. O fato é que a propensão de jogar basquete provem de superioridades fisiológicas genéticas, combinadas às tradições culturais estabelecidas no ambiente. Não há evidência alguma sugerindo que os genes de algum modo fazem o jogador de basquete. Isso se parece como estudos genéticos que alegam estar procurando o gene que torna alguém fumante ou republicano... isso é um grande absurdo. As únicas bases genéticas relevantes aqui são fisiológicas, não comportamentais.


Neuroquímicos são outros exemplos de influências fisiológicas no comportamento. A serotonina, por exemplo, se mostrou relacionadas a supostos comportamentos “anti-sociais”. Baixos níveis de serotonina podem aparentemente levar à impulsividade e agressão. Seja como for, os neuroquímicos não orientam o comportamento de uma pessoa de um modo específico. Assim como outros atributos fisiológicos, eles causam certas predisposições.


Embora de fato haja uma origem genética para essas substâncias químicas, que podem estar relacionados à hereditariedade familiar e supostos "distúrbios de personalidades", resultantes de desequilíbrios químicos, a suposição do comportamento neuroquímico não especifica como essas propensões químicas manifestar-se-ão. Em outras palavras, alguém poderia dizer que uma pessoa com certo desequilíbrio tem predisposição a "zangar-se" mais facilmente que a população em geral. Embora isso seja informativo, isso nada diz acerca de como o comportamento manifestar-se-á. É o ambiente que determina o comportamento real ou ausência do mesmo.

Não há evidência científica que realmente apoie a noção de qualquer de nossos comportamentos é exatamente o resultado de nossos genes. Esses comportamentos que as pessoas muitas vezes atribuem ao "instinto" ou "natureza humana" podem quase sempre serem ligados a influências ambientais. A noção de "natureza humana" é largamente mitológica. Ela é resultado de noções religiosas primitivas de que o ser humano é "bom ou mau" inerentemente. A busca por um "gene" ou afim causador de um comportamento específico é basicamente uma forma de superstição. É como se uma pessoa fosse "possuída por demônios" que controlassem seu comportamento.

O fato é que embora neuroquímicos e traços fisiológicos provocam propensões para as reações e tendência social de uma pessoa, é o ambiente que de fato cria nossos valores e comportamentos. Não existe uma "natureza humana" fixa, predefinia. Nossos valores, métodos e ações são desenvolvidos e frutos de nossas experiências.

O estudo "Merva-Fowles", realizado na Universidade de Utah, nos anos de 1990, descobriu fortes conexões entre o desemprego e o crime. Suas descobertas mostram que um aumento de 1% no desemprego resulta em:

· um aumento de 6,7% nos homicídios;
· um aumento de 3,4% nos crimes violentos;
· um aumento de 2,4% nos crimes possessórios.

Não apenas isso, ele descobriu também que aqueles que perderam o emprego recentemente, ficaram especialmente vulneráveis a doenças. Suas descobertas mostram que um aumento de 1% no desemprego também resulta em:

· um aumento de 5,6% nas mortes por ataque cardíaco;
· um aumento de 3,1% nas mortes por derrame.

Com base nos níveis de desemprego de 1990-1992, isso resultou em mais 35.307 mortes por ataque cardíaco e mais 2.771 mortes por derrame. O estudo descobriu também que esses desempregados tiveram uma predisposição muito maior para o alcoolismo, fumar, depressão e consumo de dietas menos saudáveis.

Esse estudo revela como o sofrimento e a agressão pode resultar da privação ambiental, e o quão poderoso é o ambiente na formação de nossos comportamentos e valores. Se uma pessoa precisar sobreviver, ela fará o que for preciso. Isso faz dela um "criminoso"? Não necessariamente.

A conclusão é que nossos comportamentos são baseados no que aprendemos, juntamente com as pressões biossociais com as quais temos de lidar para sobreviver. Nossa constituição genética não nos diz nada sobre como exatamente devemos funcionar. É o que aprendemos e aquilo  com o que nos acostumamos que cria nosso comportamento.

Um homem ofendido que puxa uma arma e atira em alguém teve, em algum momento de sua vida, de aprender o que é uma arma, como puxar o gatilho, assim como o que ele tinha de achar que era um insulto em primeiro lugar. Cada palavra nesse texto foi aprendida por este autor de um jeito ou de outro. Todo conceito é um acúmulo coletivo de experiências. Não existe nada realmente que pensamos e que não tenha sido nos apresentado de alguma forma através do ambiente.

Uma pessoa nascida numa cultura em particular irá absorver os valores, tradições e, portanto, comportamentos dessa cultura. Uma criança chinesa separada dos pais no nascimento e que cresceu numa família britânica na Inglaterra desenvolverá o idioma, o dialeto, os maneirismos, as tradições e o sotaque da cultura britânica.

Voltando a nosso argumento principal com relação às pessoas que acreditam que uma economia baseada em recursos nunca funcionaria devido aos "despóticos atributos da natureza humana"; que fique claro que qualquer um que alguma vez enganou alguém teve uma motivação para tal. Essa motivação é aprendida. Então, nossa meta para a sociedade seria eliminar os estímulos, ou condições que geram comportamento socialmente ofensivo.

Na sociedade de hoje, a condição mais fundamental para comportamento ofensivo provem do sistema monetário. Como dito antes, o sistema monetário perpetua corrupção, escassez e insuficiência. A tão falada decência não pode existir num mundo de competição, má distribuição de bens, miséria e privação. O comportamento despótico que vemos hoje no mundo não é resultado de forças genéticas pré-estabelecidas. É basicamente o resultado de anos de escassez e condicionamento voltado à competição.

Hierarquia, ganância, competição e dominação são manifestações sociais. Se você olhar para o reino animal, frequentemente verá hierarquia social e dominação brutal. Muitos geralmente dizem que é o instinto desses animais se comportarem desse modo e os humanos partilham da mesma natureza instintiva. Embora isso pareça lógico pela observação, não se está levando em conta a escassez que existe no reino animal. Se não houver o bastante para todos, os animais no topo ficam mais e mais agressivos gerando hierarquia, enquanto o resto compete por recursos de um jeito aparentemente voraz.

O professor de neurologia e ciências neurológicas da Universidade de Stanford, Robert Sapolsky, passou 30 anos estudando pessoalmente um grupo de babuínos no leste africano. O bando exibia os mesmos padrões de hierarquia social, competição e dominação que os seres humanos exibem hoje. Contudo, aconteceu algo interessante há cerca de 10 anos no estudo. O grupo ficou acidentalmente exposto a uma doença que matou os machos alfa, sobrando apenas os subordinados e as fêmeas.

Esse evento alterou dramaticamente a natureza social do bando. Nenhum dos babuínos remanescentes ocupou a nova posição de domínio. A hierarquia praticamente cessou e o comportamento agressivo diminuiu exponencialmente. Esse ainda é o caso do bando 20 anos depois. Mesmo quando jovens machos e adolescentes se juntavam ao grupo, levava cerca de 6 meses para o comportamento do babuíno se ajustar de um tipicamente competitivo para o novo comportamento equilibrado e não-agressivo do bando.

Embora essa observação deixa muitas questões no ar, ela vale para mostrar como o comportamento muda de acordo com mudanças no ambiente. Pensar que nossa sociedade está presa em alguma prisão do "instinto" e da "natureza humana" não é viável. Mesmo se tivéssemos "predisposições" para certos padrões de sobrevivência, ainda é o ambiente que gera o comportamento real.

Nas palavras do professor de epidemiologia Sir Michael Marmot referindo-se ao estudo dos babuínos:

"Eu diria que o que aprendemos... com o estudo de primatas não-humanos, foi que as condições nas quais as pessoas vivem... são absolutamente vitais para a saúde delas. Penso que o que estamos tentando criar é uma sociedade melhor... como podemos criar uma sociedade com as condições que permitirão às pessoas se desenvolverem plenamente, e é nessa direção que estamos indo – criar uma sociedade melhor, que promova o desenvolvimento humano".


O Dr. Sapolsky complementa:

"Uma das coisas que os babuínos nos ensinaram foi que somos capazes de, em uma geração, transformar o que é considerado como sistemas sociais imutáveis, 'gravados na rocha'... Não temos desculpa quando dizemos que existem certas inevitabilidades nos sistemas sociais humanos".

Numa economia baseada em recursos, os objetivos são igualdade, liberdade e abundância. Se esses fatores ambientais podem ser criados para a humanidade, nosso sistema social irá transcender os padrões degenerativos, corruptos e egoístas que vemos hoje.


Quando o assunto é comportamento humano, a sociedade tenta controlar a si mesma por meio da ameaça, usando leis. As leis existem para controlar as pessoas. Elas são "remendos" que não tratam das causas profundas do comportamento. Se uma pessoa é presa por roubar, muita pouca consideração se é dada para o porquê de uma pessoa ter escolhido roubar em primeiro lugar. Em vez de considerar as causas profundas, a sociedade toma o caminho mais fácil e muitas vezes remove o "criminoso" através de prisões.

Em 2007, mais de 9 milhões de pessoas estavam encarceradas por todo o mundo, sendo que os Estados Unidos liderava com a maior população carcereira do mundo. Isso é realmente triste.

A origem de um suposto crime qualquer é de fato a própria sociedade. Não existem "criminosos". Como foi aqui repetidamente expresso, o sistema monetário gera corrupção pela sua própria construção. Como o estudo Merva & Fowles anteriormente apresentado mostra claramente, o comportamento socialmente ofensivo está diretamente relacionado às circunstâncias socioeconômicas. A grande maioria das pessoas nas prisões vem de posições socioeconômicas desprivilegiadas.

Leis são curativos. Em vez de depender de um sistema falido de punição e prisão depois do mau estar feito, precisamos tratar das insuficiências da sociedade que levam ao comportamento socialmente ofensivo, tais como miséria, desnutrição, falta de moradia, depravação, distorção social, educação falha, estresse financeiro, abandono de crianças e afins.

Então, se queremos alterar o comportamento das pessoas, temos de alterar as condições sociais. Precisamos "eliminar as falhas no design". Eliminamos a necessidade de proclamações e leis. Leis são subprodutos da insuficiência. Não pregamos uma placa que diz: "Limite de velocidade: 90 quilômetros por hora" para a segurança. Projetamos o sistema tecnicamente de modo que a segurança esteja embutida e o erro humano não seja uma opção. Se você não quer que uma pessoa roube, tem de fazer com que ela tenha acesso direto a suas necessidades sem precisar de servilismo e competição.

Hoje, com o avanço tecnológico, temos a habilidade de criar um novo sistema social que pode permitir a todos os humanos o acesso a todas as necessidades de vida, sem uma etiqueta de preço, dívida ou servidão. Isso terá um profundo efeito no modo como as pessoas tratam umas às outras e interagem em sociedade. Uma incrível queda nos crimes seria o resultado, pois a maioria deles está relacionada ao dinheiro. Isso não quer dizer que, de um dia para outro, todas as outras formas de comportamento socialmente ofensivo desaparecerão.

A inveja e outras formas de problemas de confidência irão ainda gerar problemas. No entanto, o tratamento daqueles que cometerem atos socialmente ofensivos no futuro será dramaticamente mais humano e proativo. Se um assassino em série for encontrado e capturado, ele não seria tratado como um criminoso, mas em vez disso como um paciente doente.

A sociedade compreenderá que as pessoas são produtos do meio e em vez de condenar a pessoa a uma cela de concreto fria, os cientistas sociais irão estudar profundamente as causas culturais que geraram o comportamento do assassino em série, e considerar aquelas condições que precisam ser alteradas.


Pra finalizar o artigo, deixo essa palestra de nosso irmão Peter Joseph acerca do assunto:



Fontes e referências:
- Joseph, Jay, A critical review of twin and adoption studies of criminality and antisocial behaviors, The Journal of Mind and Behavior;
- Elliot, FA, A neurological perspective of violent behavior. In DH Fishbein, The science, treatment, and prevention of antisocial behaviors, pp. 19-21, 2000, Civic Research Institute;
- Entrevista com R. Sapolsky, Stress: Portrait of a Killer, National Geographic, 2008;
- Entrevista com Sir Micheal Marmot, Stress: Portrait of a Killer, National Geographic, 2008;
- Walmsley, Roy, World Prison Population 2007, International Center for Prison Studies, London;

Leia o livro "O Movimento Homossexual". O mesmo está disponível em nossa página de recomendações

3 comentários:

Anonymous disse...

Ótimo texto , parabéns !!!

" Estudos sugerem que a influência dos genes num indivíduo existem, no entanto muito longe de serem as forças irresistíveis de "entidades poderosas" propostas pelos crentes do Todo-Pederoso Deus Gene. "
ha ha ha ha , me acabei de rir nessa parte .

Anonymous disse...

Daqui há pouco existirão alguns que vão matar alguém e dizer no tribunal .
" não foi eu , foram os meus genes " he he he he .

Anonymous disse...

Jobson, bom saber que há um site sobre ateísmo que não defende a depravação e perversão do gaynismo. Não há compromisso, amor ou qualquer coisa boa nestes comportamentos sexuais inadequados. Não há nada de normal ou bom em um homem que prefere ter um pênis dilacerando seu ânus (que faz parte do sistema escretor,sem função sexual,além de ser nojento)ao invés da beleza de uma mulher bonita. Basta ver o assédio destes bichas. Continue com o site.

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.