
"NaTeoria da Relatividade, a capacidade de viajar à velocidade da luz é equivalentea viajar para o passado", disse ao ELMUNDO.es, Álvaro de Rújula, físico teórico do CERN - CentroEuropeu de Investigação Nuclear. O pai da Teoria da Relatividade, nosso irmão, Albert Einstein, sofreu um "choque" importante, chegoua especular que se pudéssemos enviar umamensagem mais rápido que a velocidade da luz, então "poderíamos enviar umamensagem para o passado." O “choque” se deu quando se verificou que o tempo que um neutrino para levou parapercorrer os 730 quilômetros que separam oe o CERN do laboratório subterrâneode Gran Sasso. Os resultados das análises realizadas indicam a chegada deneutrinos antes do tempo, assumindo como parâmetro a velocidade da luz.
Esteé um dos "postulados" aceitos pela teoria da física que se mantiveraminalterados desde 1905, quando Einstein enunciou a sua teoria da relatividadeespecial: “não há nada que possa ir mais rápido que a luz”. Físicos teóricosacreditam que no início do universo, momentos após o Big Bang, produziram-sevelocidades mais rápidas que a velocidade da luz (300.000 km por segundo). Isto significa que aafirmação do grande físico alemão é que nenhum "mensageiro", nenhumapartícula (ou sinal, como são chamados em física teórica), pode.
"Seconfirmado, o resultado significaria uma nova revolução na física, comimplicações para a teoria da informação", explica do CERN, José Bernabéu, professorde Física Teórica da Universidade de Valência, recentemente vencedor do prêmiode física realizada pela Real Sociedad de Física de Espanha e pela FundaciónBBVA. "Se confirmado seria incrivelmenterevolucionário, seria um choque, mas os choques são bons", resumiu De Rújula.
Uma janela para o passado
Estas implicações para a teoria da informaçãochegam ao ponto onde os neutrinos, digo de um ponto de vista didático, seriamum atalho na dimensão espaço-tempo, uma janela para o passado.
Em 1987, os físicos de todo o mundo assistiram, aovivo, a explosão de uma supernova chamada 1987-A. Na época, os neutrinos - um tipo de partículas subatômicas presentes nouniverso como radiação desde o Big Bang, os quais também se pode produzí-los emcentrais nucleares como desintegração beta de alguns isótopos radioativos -, foramconhecidos. Amedição, naquele ano, teve uma precisão 100.000vezes maior do que a tomada no CERN.
E esse é o sentimento geral na comunidadecientífica: é possível que esse resultado está correto. "A pergunta a fazer é: Para onde eles foram lançados? Porque é bom esperarpara verificar se isto é falso", disse Alvaro de Rújula.
Partículascom sinal muito fraco
Os neutrinos têm apenas massa e não têm carga,assim que seu sinal é tão fraco que poderia passar pela Terra sem sofrer mudançasem seu número ou direção. E essaé uma parte fundamental da metodologia do experimento no CERN. Sem carga, neutrinos não podem seracelerados de qualquer forma em um acelerador de partículas como o LHC, emGenebra. Tem-se que acelerar uma fonte de neutrinos para que estes sejam geradose enviados para a direção desejada.
Neutrinos não viajam por qualquer duto científicodo CERN para o laboratório subterrâneo Gran Sasso. Uma vez produzidos noacelerador, os cientistas têm que ser muito precisos para enviar neutrinos nadireção certa. Tem que viajar 730 quilômetrossob a superfície e chegar a um detector de massa (com um grande volume e altaprecisão) de cerca de 10 metros para que ele seja capaz de detectar essaspartículas subatômicas.
De acordo com especialistas consultados peloELMUNDO.es, cabe o erro tanto na parte experimental, que define os parâmetrosdo experimento, como na explicação dos resultados, trabalho que recai sobre osfísicos teóricos. Será que o escrutíniodos colegas que dirá se o resultado é válido ou não. Os fundamentos da físicamoderna estão em jogo.
"Neutrinostêm dado muitas surpresas nos últimos anos. E se o resultado for confirmado,seria a maior surpresa do século, desde que foi enunciada a teoria darelatividade especial, em 1905, desde que se estabeleceu como um paradigma dafísica ", disse José Bernabéu.
É preciso cautela
Comoserá que essa descoberta fascinante vai se desenrolar? Como disse um dia nosso irmão CarlSagan, "afirmações notáveis exigem provas notáveis". Laboratórios em todo omundo, como o Fermilab nos arredores de Chicago, irão refazer os experimentosdo CERN e tentar provar ou negar seus resultados.
Oprofessor de Física João Magueijo alertou esta quarta-feira para a necessidadede esperar por mais pormenores acerca da recente descoberta de que o neutrino émais rápido do que a luz, considerando os resultados "muitoestranhos".
Parao cientista português, João Magueijo, que também já estudou os neutrinos e a velocidade daluz, estes resultados "não devem ser levados muito a sério" atéporque é preciso "esperar que todos os detalhes da experiência sejamconfirmados por uma investigação independente".
Emboraadmita que "a história do neutrino tem revelado as coisas mais estranhasdo universo", nomeadamente o fato de o neutrino ser "canhoto"quando se pensava que "a natureza era completamente ambidextra", JoãoMagueijo considera que os resultados da investigação do CERN são "muitoestranhos".
Fonte: Jornal de Notícias, Terra

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