terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Educação: a desilusão

Irmãos, às vezes penso em abandonar o magistério. Às vezes, penso, inclusive, que só uma ditadura no estilo Ahmadinejad resolveria o Brasil. Democracia, dentro deste sistema monetarista, parece só dar certo quando aplicada a um povo previamente bem educado, honesto, respeitador, consciente e moralmente bem intencionado. 

 
É sério... vou ver se eu consigo arrumar um cargo burocrático... Nos moldes do sistema educacional atual parece ser trabalho e tempo perdidos. E, com a quase inexistente educação doméstica (em casa, dos pais) o quadro se agrava ainda mais. Essa proibição de dar limites aos educandos, lamentavelmente, é um fenômeno mundial e tem contribuído para gerar libertinos e futuros cidadãos com sociopatias. Basta observarmos o crescimento do “buyling”. Além disso, os adolescentes e jovens não têm mais referencial, os próprios educadores não dão mais bons exemplos. A educação atual não tem mais por objetivo formar seres humanos, cidadãos, mas tão-somente mão de obra para o capitalismo.

A cena que presenciei hoje, e que lhes relatarei em seguida, me deixou arrasado. Com meu carro no prego, tive que recorrer ao glorioso “busão”. Como sempre, acordei cedo e sai entusiasmado pra dar minha aula (aqui o ano letivo 2010 ainda está em curso). Leciono Geografia para o Ensino Fundamental e Médio em escolas públicas. A orientação que temos das “cabeças pensantes” da Administração das escolas públicas daqui, de uma maneira geral, é a de seguirmos a pedagogia do "proibido proibir".
Aqui nem pensar em disciplinar um aluno. Diretor que expulsa aluno, pode ser pelo motivo que for, perde o seu cargo comissionado. A única coisa que nos é permitido é excluir um aluno de sala de aula, caso o mesmo apresente comportamento impeditivo ao andamento normal da aula. E sigo, né, fazer o quê? Pois: "quem pode manda, quem tem juízo obedece".
Dei minha aula com empolgação e dedicação, tirei as dúvidas, forneci o questionário e corrigi questão por questão... terminou a aula e aquela sensação de dever cumprido, de ter contribuído para a formação de 45 adolescentes do meu país...
Peguei o “busão” de volta pra casa e presenciei uma cena extremamente lamentável e que estragou com os brios otimistas de um bom professor e abalou a minha esperança nesse país. Assentei-me numa cadeira na fileira intermediária do ônibus, era a única que estava desocupada. Peguei um livro pra ler a fim de passar o tempo e diminuir o estresse do trânsito. Parei num instante e eis que subiu um rapaz com necessidades especiais (deficiente físico) carregando a sua muleta. Aqui no meu estado, o embarque no ônibus é feito pela porta traseira e o desembarque pela dianteira. O rapaz subiu pela frente devido à acessibilidade. As cadeiras da frente do ônibus são preferenciais, há um aviso enorme sobre elas dizendo: "assento preferencial para gestantes, idosos, deficientes e pessoas com criança de colo". Baixei minha cabeça e retornei ao livro pois supus que alguém logo lhe concederia o assento que lhe era de direito. Ouvi uma risadagem e reergui a cabeça. Fiquei estupefato com o que via. Olhei e queria não estar enxergando aquilo... duas mulheres de aspecto jovem que estavam a ocupar os assentos preferenciais estavam fazendo chacota do deficiente que mal podia se segurar no ônibus... De repente, o motorista parou o ônibus e chamou-lhes a atenção pra cedessem o assento ao rapaz... Daí, viria o pior. Uma delas respondeu: "Vai morrer... não vou dar minha cadeira pra esse monstro deformado, esse aleijado". Nesse momento, lembrei-me rapidamente dos cartões que recebo da turma de uma entidade filantrópica que lida com deficientes e que contribuo financeiramente. Todas as vezes que leio aquilo, choro pra caralho. Pô! Eles não pediram pra nascer, muito menos daquela forma! Por que será que em determinados sites de grupos ditos "humanistas seculares" não se lê uma linha em combate ao preconceito contra os deficientes, hein?? Bem, continuando... De súbito, levantei-me no intuito de conduzir o rapaz até o meu assento... Daí, aconteceu o mais lamentável ainda... As duas se levantaram, empurraram o rapaz e saíram do ônibus... Ô, meus amigos, foi muito triste o que vi... Olhei pra tentar ver quem eram e, eram duas jovens das quais havia sido professor... Daí me veio o desânimo completo, sinto-me impotente na minha condição de professor. Ao ver aquilo com duas jovens com quem tanto labutei para que aprendessem alguma coisa de bom para a sociedade.

Um comentário:

Athan Veron disse...

Ô! Em contrapartida, numa praça de um estado do sul, onde o pedantismo veste ricamente os pederastas mandantes das religiões, e se esquiva do monte, montão, de mendigos alastrados nas ruas, nessa praça usa-se aleijados para fazer mídia para o espiritismo, e etc. Uma cena grotesca é ficar filmando um aleijado doente mental como se o infeliz fosse um artista; mas está-se mesmo é filmando pessoas que estão ali passeando; pois vira e mexe, os que fazem esse 'serviço' voltam a câmera pra pessoas 'esquecendo completamente' o aleijado. Enquanto isso um bando de 'gente que se diz que presta' fica a vigiar as pessoas na praça, a mando de quê e pra quê?

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