quinta-feira, 30 de junho de 2011

A "modernização da modernidade" - (A Ruptura Ontológica - Parte 6 de 7)

A razão para o fenômeno histórico desta segunda onda da crítica, que se sobrepôs à oposição no interior da burguesia, deve ser buscada no problema designado pela teoria da história e pelas ciências sociais como "não-simultaneidade histórica". A ontologia moderna não se desenvolveu estrutural ou geograficamente de maneira uniforme, mas sim em surtos descontínuos.

Nos países do Ocidente que deram origem ao sistema de produção de mercadorias, apenas algumas categorias foram elaboradas, enquanto outras permaneciam "subdesenvolvidas". Trata-se da formação do sujeito moderno, da individualidade abstrata e das consequentes formas de direito e política. O esclarecimento e o liberalismo não puderam elaborar estas categorias como abstratas e gerais, igualmente legítimas para todos os membros da sociedade [...] A massa de assalariados e assalariadas era submetida inclusive à disciplina do "trabalho abstrato", mas ficava à margem do território ontológico do ponto de vista jurídico e político. Para que a ontologia moderna pudesse ser concluída objetivamente e não pessoalmente, ela precisava ser generalizada.
Apenas com a integração política e jurídica era possível tornar perfeita a submissão categorial do homem.
A partir dessa constelação, o movimento dos trabalhadores no Ocidente assumiu a função específica da "modernização da modernidade", que consistia na luta pelo reconhecimento de assalariados e assalariadas como sujeitos integrais dentro do direito, da política e na participação no Estado (direito de voto, liberdade de coalizão e de assembleia). Com isso bloqueou-se a crítica categorial também por esse flanco. Em vez da ruptura ontológica, o movimento dos trabalhadores deu preferência à finalização da ontologia moderna. Ele assumiu em parte o papel do liberalismo na medida em que universalizou determinadas categorias modernas. O liberalismo mostrara-se incapaz disso e revelou, em certo sentido, um aspecto conservador. Consequentemente, o movimento dos trabalhadores acusou o liberalismo de traição a seus próprios ideais e assumiu ele próprio os ideologemas essenciais do esclarecimento, incluindo-se aqueles próprios à ética protestante do trabalho.
[...]
Em grandes dimensões repetiu-se a dialética afirmativa do reconhecimento burguês aos movimentos da periferia pela independência nacional e participação autônoma no mercado mundial. Neste caso, a crítica do capitalismo se baseou essencialmente na estrutura da dependência colonialista e pós-colonialista em relação aos países ocidentais mais desenvolvidos, mas não nas categorias sociais básicas. Aqui também se tratava de um reconhecimento perfeitamente assentado na ontologia moderna, mas não em sua critica e em sua superação. Desta forma, tanto a revolução russa como a chinesa e os posteriores movimentos de libertação no hemisfério sul assumiram uma função no âmbito da "modernização da modernidade", que consistia na formação recuperadora de economias e Estados nacionais na periferia.

Original: DER ONTOLOGISCHE BRUCH. Vor dem Beginn einer anderen Weltgeschichte in http://www.exit-online.org/


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